Declaração de Princípios

Quem concebeu a Lumiar estava convencido, desde o início, de que uma escola não precisa parecer uma fábrica, ou, pior, uma prisão: um lugar sério, até mesmo triste e por vezes lúgubre, em que crianças uniformizadas e arregimentadas praticam, contra a vontade, o dever difícil, e até doloroso, de aprender.


E quem a concebeu estava convencido de que, embora crianças nasçam bastante ignorantes, não sabendo quase nada, elas já nascem sabendo como aprender... Na realidade, crianças são seres que parecem ter sido programados para aprender. Muito cedo, e sem que sejam ensinadas, aprendem a reconhecer a face e a voz da mãe, do pai, dos irmãos, dos mais próximos. Saúdam os familiares e conhecidos em geral com um sorriso – e, quanto aos estranhos, bem, elas em regra os estranham... Logo aprendem, de novo sem serem ensinadas, a reconhecer sons e a perceber que determinados sons têm significados, começando, assim, a se enveredar pelo mundo maravilhoso e fascinante da linguagem. Em seguida aprendem a se sentar, depois a se sustentar nas próprias pernas, depois a se equilibrar sobre elas. Mais ou menos ao mesmo tempo aprendem a falar e a andar – de forma meio rudimentar, a princípio, mas que é rapidamente aperfeiçoada. Em pouco tempo estão correndo, saltando, subindo em móveis e escadas – e falando quase como gente grande. Depois aprendem a dançar, não raro de forma natural e graciosa. Ao mesmo tempo aprendem a cantar as palavras de cantigas infantis, a seguir sua melodia, a manter o ritmo da música. E aprendem tudo isso sem dificuldade e com enorme prazer – não porque sejam obrigadas ou ensinadas, e, claramente, não de forma penosa e dolorida. Quem afirma que, antes de aprender, uma criança precisa aprender a aprender, e imagina que ela possa aprender a aprender em decorrência do ensino de terceiros, não deve jamais ter prestado atenção de perto ao desenvolvimento físico, mental, emocional e social de uma criança.


As perguntas que quem concebeu a Lumiar fez foram:


  • Por que não construir uma escola que funcione como alavanca dessa enorme capacidade de aprender que é natural às crianças?
  • Por que não construir uma escola que respeite e promova a curiosidade inata da criança, seus interesses e talentos naturais, sua forma preferida de aprender e o seu ritmo próprio de aprendizagem?
  • Por que não construir uma escola em que aprender seja tão prazeroso quanto o é fora da escola, mesmo quando se aprendem coisas difíceis, que exigem grande esforço e enorme concentração?

Críticos da escola tradicional há muitos – alguns bastante famosos. E suas críticas vêm sendo feitas há bem mais de um século. E muitos têm proposto escolas diferentes: anarquistas, libertárias, progressistas, construtivistas... No entanto, a maior parte dessas propostas acaba descambando ou para uma “educação negativa”, “laissez faire”, à la Rousseau, em que o papel da escola como ambiente de aprendizagem virtualmente se desvanece, ou, então, para um ambiente de aprendizagem totalmente estruturado, não muito diferente daquele da tradicional, em que não se respeitam os interesses, os talentos naturais, e a liberdade de aprender da criança.


Quem concebeu a Lumiar pretendeu, ousadamente, que ela navegasse entre esses dois perigosos extremos -- a Cila e a Caribdis da história.


A escola de São Paulo nasceu em 2002 com o Instituto Lumiar – então denominado de Associação Lumiar. O Instituto ficou com a atribuição de pensar a proposta pedagógica da escola e de garantir que a prática pedagógica não se afastasse da propos

ta. A escola do bairro rural do Lageado, no município de Santo Antonio do Pinhal, perto de Campos do Jordão, se juntou à rede depois. Outras virão.

O referencial teórico desenvolvido pelo Instituto Lumiar tem sido ousado e as Escolas Lumiar têm sido escolas verdadeiramente inovadoras, democráticas, que respeitam os interesses, a individualidade e a liberdade de aprender dos alunos.


Mas as Escolas Lumiar não são escolas que abdicam de sua responsabilidade na aprendizagem de seus alunos, e, por conseguinte, não são anárquicas, libertárias, laissez faire: elas seguem uma proposta pedagógica clara, que abrange currículo, metodologia e avaliação, além de, naturalmente, a forma de gestão.


As Escolas Lumiar são especialmente voltadas para aqueles que não estão satisfeitos com o que outras escolas estão oferecendo, mas também não desejam que seus filhos sejam vítimas de uma educação arregimentada, voltada exclusivamente para a aprovação no vestibular ou para o sucesso no mundo do trabalho. As Escolas Lumiar não são escolas para todo mundo: ela são escolas para quem busca uma proposta pedagógica inovadora, coerente e eficaz. Sua proposta não é utópica, mas, ao contrário, é exeqüível e funciona, contribuindo, assim, para a transformação de seus alunos em pessoas conscientes, críticas e responsáveis, cidadãos atuantes e participativos, profissionais competentes e bem-sucedidos, sem jamais se esquecerem de que aprender é o destino contínuo e permanente do ser humano – que nasce ignorante, incompetente, dependente, mas com uma enorme capacidade de aprender, e tem de, aprendendo, tornar-se um adulto que conhece a realidade na qual está inserido, que é livre e autônomo para definir o seu projeto de vida, e que possui as competências e habilidades necessárias para transformar esse projeto de vida em realidade, ou seja, em vida vivida.



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